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“Terrores Nocturnos nas Crianças”
Na crónica desta semana falamos sobre terrores nocturnos que, afectam muitas crianças em períodos diferentes do seu desenvolvimento e que causam fenómenos de grande ansiedade impedindo-as de realizar um sono reparador e tranquilo. Os Terrores Nocturnos são uma alteração do sono frequente em crianças, em que há um despertar abrupto e acompanhado de sinais de ansiedade intensa, geralmente nas primeiras horas de sono. O terror nocturno começa geralmente entre os 4 e 7 anos e pode desaparecer gradualmente no início da adolescência. A criança acorda em sobressalto, uma ou duas horas depois de ter adormecido, com um grito de pânico a que se segue um período em que manifesta grande ansiedade, com o olhar fixo, sudação, respiração rápida, aceleração dos batimentos cardíacos e movimentos descoordenados. A agitação dura alguns minutos e por vezes, não cede às tentativas de conforto por parte dos pais. Quando o episódio termina, a criança volta a adormecer e não se recorda do que se passou, quer seja acordada a seguir, quer na manhã seguinte. Nas crianças pequenas, os períodos de sono superficial são maiores que no adulto, o que se traduz por despertares mais frequentes. No entanto, a maioria das crianças aos dois anos de idade é capaz de dormir toda a noite, embora a profundidade do sono varie ao longo da noite. Os terrores nocturnos são uma alteração da segunda metade do sono NREM (sono profundo). Por este motivo, a criança, que estava profundamente adormecida, parece confusa e desorientada, não responde às tentativas de consolo dos pais, e não se recorda do sucedido na manhã seguinte.
Neste momento é fundamental fazer a distinção entre os terrores nocturnos e os pesadelos. Enquanto os terrores nocturnos surgem mais no princípio da noite (em que os períodos de sono profundo são mais longos), os pesadelos são um fenómeno do sono superficial (sono REM), e por isso ocorrem mais na segunda metade da noite ou quando a manhã se aproxima (quando aumentam os períodos de sono REM). Por outro lado, nos terrores nocturnos o despertar acontece no início do episódio, enquanto nos pesadelos a criança acorda a meio ou no final, quando a tensão causada pelo conteúdo assustador do sonho se torna demasiado intensa. Ao acordar de um pesadelo a criança rapidamente fica orientada e desperta, consegue descrever o conteúdo do sonho e deixa-se tranquilizar pelos pais (em contraste com os terrores nocturnos em que se mantém confusa e agitada, sem que nada a acalme, esquecendo o episódio logo que retoma o sono). Os terrores nocturnos, geralmente, podem aparecer em qualquer criança saudável. No entanto, as condições que aumentam a duração do sono profundo (sono NREM), como o cansaço ou certos medicamentos, podem facilitar o aparecimento de terrores nocturnos.
Habitualmente não há indicação concreta para tratamento dos terrores nocturnos, sendo razoável tranquilizar os pais e ensiná-los a lidar com o problema, informando-os da sua natureza, da sua inocuidade para a criança e da sua progressiva diminuição com o passar dos anos. Para reduzir o número de episódios é importante estabelecer uma boa rotina de sono, evitando a fadiga que interfere na duração do sono profundo. Embora, e de um modo geral, os terrores nocturnos não tenham grande significado, há no entanto a possibilidade de serem sinais de alterações a nível neurológico ou mesmo a nível respiratório, sobretudo se os episódios forem frequentes. Em casos mais específicos procurar ajuda especializada é um auxílio para a criança ultrapassar estes episódios.
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